quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09/09/09

Para os chineses, hoje é o dia da eternidade. Um bom dia para casamentos, e para as demais coisas que as pessoas desejam que durem para sempre. Assim que ouvi essa notícia, comecei a pensar na duração das coisas... E de como a finitude e a infinitude são dois grandes paradoxos. Ambas causam um desalento terrível, e ao mesmo tempo um conforto indizível.


Quando penso na minha própria finitude, e de tudo e de todos que me rodeiam, sinto uma agonia tão grande, que fico sufocada. Esse medo vem geralmente à noite, quando os fantasmas ficam a vontade para passear em meus pensamentos, quando tudo é escuro e quando o mínimo dos barulhos adquire quase um som ensurdecedor. Penso na morte, nas perdas, no fim. Penso na incerteza do futuro, na imutabilidade do passado, na efemeridade do presente. Penso na peneridade do corpo, na transitoriedade da beleza, nas mudanças, nas permanências... E choro... ou pego no sono e tenho pesadelos... ou sonhos leves, completamente antagônicos aos meus temores.

Ao mesmo tempo, penso que a finitude é a única certeza. Digo, a finitude do corpo e das formas. Dessa vida que eu conheço. Porque tenho acreditado, com todas as minhas forças, que existe algo mais. Algo que é eterno, que dura inifinitamente, que faz parte do universo e que para ele será "devolvido"... E assim, o que resta é viver essa dualidade: eterno e finito, infinito e efêmero.

Mas nessa data tão cabalística, tão significativa para a eternidade, presto minhas homenagens a ela, e peço aos céus que faça eternas as minhas alegrias, as minhas amizades, os meus amores e, principalmente, meus sentimentos nobres e leves. Mesmo que essa eternidade tenha a duração de um único segundo.



Fabi