
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Quando bate o desespero...
Sabe aqueles dias em que o universo parece conspirar contra você? Aqueles dias em que tudo parece dar errado, e que você pensa: "não devia ter saído da cama hoje... era melhor ter ficado quietinha, dormindo...". Pois é... é o que eu estou sentindo. Sinto que está todo mundo me sugando: minha inteligência, meus conhecimentos, meu dinheiro, minha paciência, minha esperança, minha juventude, eu tempo, minha força de vontade, enfim... minhas energias para tentar fazer as coisas diferentes.
Hoje estou sentindo uma vontade enorme de que tomem conta de mim, que tomem decisões por mim, que arrumem minhas coisas, que façam para mim o meu trabalho. Só por hoje eu preciso disso... Para me sentir mais leve, mais livre...
Hoje o desespero bateu...Bateu e se instalou... Acho que dias assim devem ter alguma serventia... O melhor deles é que eles acabam...
Fabi
quarta-feira, 17 de setembro de 2008
Sanidade?!
"Nietzsche está saindo de um hotel em Turim. Vê diante de si um cavalo, e um cocheiro espancando-o com um chicote. Nietzsche se aproxima do cavalo, abraça-lhe o pescoço, e sob o olhar do cocheiro, explode em soluços. Isso aconteceu em 1889, e Nietzsche já estava também distanciado dos homens. Em outras palavras: foi precisamente nesse momento que se declarou sua doença mental. Mas, para mim, é justamente isso que confere ao gesto seu sentido profundo. Nietzsche veio pedir ao cavalo perdão, por Descartes. Sua loucura (portanto seu divórcio da humanidade) começa no instante em que chora sobre o cavalo." Milan Kundera
Ontem vi uma foto. Dessas anexas àqueles e-mails para repassar que recebemos sempre. Mas essa me deixou especialmente triste. Nem sei se triste é a palavra...Na verdade, creio que o sentimento que tive não pode ser expressado em uma palavra só. Triste, indignada, estarrecida, decepcionada, descrente, assustada, apavorada. A foto trazia dois adolescente enforcando um filhotinho de cachorro. O bichinho pendia numa corda com os olhinhos arregalados de dor, de susto. E os meninos o seguravam como a um troféu, com um sorriso estúpido no rosto, como se o ato fosse hilário e grande motivo de orgulho.
Fiquei tão assustada que sonhei com os olhinhos do cachorro. E hoje o dia todo pensei neles. E na dor do cãozinho, em como ele deve ter lutado para fugir dos meninos, e em como ele se viu impotente diante daqueles dois monstros gigantes que, ao final, o esfaquearam.
Por que?? O que ele fez? Por que esse destino cruel do bichinho? Não me conformo, não entendo, NÃO ACEITO!!!
Decidi, que a exemplo de Nietzche, o melhor mesmo é me divorciar da humanidade! E abraçar aquele cãozinho e pedir perdão a ele. E a todos os animais e pessoas que são diariamente subjugados, oprimidos, vilentados por esses seres, que também se dizem pessoas, seres humanos.
Por que DESSA "humanidade" tenho vergonha!!! E fico triste até em saber que sou feita da mesma substância que ESSE tipo de "humanidade", e que compartilho o mesmo espaço com eles. Porque para mim ''HUMANIDADE" é sinônimo de bondade, de respeito, de saber valorizar a vida, qualquer que seja a forma que ela assume. Não consigo conceber a idéia de que uma PESSOA, UM SER HUMANO, seja capaz de fazer isso com uma outra criatura viva!
O ato desses meninos contraria tudo que é natural, não tem explicação, desculpa, pretexto! Eles mataram o cachorro porque estavam com fome? Ou porque aquele bichinho, de uns três quilos, no máximo, estava os ameaçando? Foi insitinto de sobrevivência? NÃO!!!!!!!!!!!!! Foi maldade, egoísmo, sadismo, busca insana de diversão, de aprovação, de auto-afirmação. Pura e genuína CRU-EL-DA-DE!!!
E essa violência gratuita me assusta tanto! Me dá medo, me enoja. Me faz perder a esperança no mundo, nas pessoas...Será que ser "normal" significa achar esse tipo de atitude normal?
"Afinal, é só um cachorro!"
"Bichos não têm alma!"
"Pare de esquentar a cabeça!! Se fosse uma criança, aí sim... mas um cachorro!!! Ahhhh, bobeira!"
"Deus criou os bichos para que a gente se utilizasse deles mesmo, tá na Bíblia!!" (ah, se a Bíblia tivesse sido escrita por um cachorro...)
E há alguma sanidade nisso? Em pensar que somos os donos do planeta? E que tudo que existe aqui está a nosso serviço, para fazermos uso como melhor nos aprouver? Até para satisfazer a nossa sevícia, o nosso sadismo? E para alimentar o nosso egoísmo, a nossa ignobilidade?
Se isso é sanidade, me entrego completamente à insanidade! Porque se ser louco é achar que não há qualquer diferença entre nós e qualquer outro ser desse planeta, (aos quais, na minha opinião, devemos, indistintamente, respeito imensurável) me declaro uma completa demente!!! E como o lugar de quem está desprovido de suas faculdades mentais é no manicômio, isolado de todos os "normais", irei de bom grado para um lugar bem longe de toda essa sanidade.
Com tristeza e indignação, mais insana do que nunca,
Fabiana
domingo, 6 de julho de 2008
Mark Ryden
domingo, 16 de março de 2008
"Homo homini lupus" ou "bom selvagem"?
Acabei de ler um texto legal sobre a relação entre drogas e violência, e pensei que escrever sobre isso talvez me traga um pouco de satisfação nesse dia vazio e inquieto. Não há dúvidas de que ambos os assuntos devem ser tratados como se fossem apenas um.
No Brasil, o tráfico é muitíssimo próximo da violência, dos bandidos (de todos), da corrupção, da vista grossa, da indiferença e da impunidade. E por isso a relação entre as duas coisas é inevitável. Vamos imaginar que conseguíssemos acabar com o tráfico no Brasil legalizando a utilização de quaisquer drogas. Legalizar importa, aqui no nosso país, devido à fúria arrecadatória do governo, cobrar impostos. Alíquota do ICMS idêntica ou maior que a do cigarro, IPI, porque vai ser preciso industrializar alguns, embalar, deixar prontinho para o consumo. Alíquotas do Imposto de Importação e Exportação sujeitas à variação do mercado: sobe uma para coibir a entrada do produto de fora, baixa a outra para incentivar a saída do nosso produto daqui, PIS, COFINS, IR... muitos, muitos, muitos tributos. (Quem vai precisar mais de CPMF?)
Mas a pergunta que não quer calar é a seguinte: a legalização acabaria, ou pelo menos diminuiria a violência? Se é certo que o tráfico alimenta a violência, então a resposta é positiva. Porque não teríamos mais tráfico! A comercialização e produção de drogas seria como qualquer outra atividade. Haveria marcas, patentes, concorrência, publicidade... E será que o problema é só esse? E será que a solução para o Brasil é ir na contramão de quase todo o mundo e legalizar o uso das drogas?
Se a comercialização tornar-se legal, outros problemas surgirão. Haverá contrabando, porque a carga tributária inviabilizará a comercialização legal, batalhas entre empresas para ver quem terá a maior fatia do mercado, propina para fazer vista grossa em relação à sonegação, espionagem industrial, etc, etc, etc...
A verdade é que esse problema é mais complexo do que imaginamos. Não tenho a menor dúvida de que se fosse possível exterminar completamente da face da terra o problema do tráfico e uso de drogas, conseguiríamos diminuir a violência. Porque também não há dúvidas de que as duas coisas guardam íntima relação, muito embora alguns não acreditem nisso.
Mas é muito fácil acreditar que o problema é só esse. Aí, nem fica tão difícil de resolvê-lo, porque se já temos a causa, meio caminho andado para chegar à solução. Mas a violência é multifacetada. E o crime, como expressão máxima da violência, tem causas diversas. Drogas, miséria, falta de educação, de perspectiva, de dignidade, de orientação levam, muitas vezes, a uma vida cercada por violência. Mas não raro vemos casos de pessoas que não passam por nenhuma privação material, que têm família bem estruturada, e que, mesmo assim, são violentas, praticam atrocidades. É fácil concluir, assim, que a raiz da violência não é apenas a miséria. Talvez essa seja sua maior causa aqui no Brasil. Mas, com certeza, não é a única.
E assim, chegamos ao ponto: tem solução? Quando me deparo com essas questões, fico na dúvida se há mesmo uma solução definitiva. Penso em Hobbes, na sua tese de que os homens são naturalmente maus, "lobos do próprio homem", e que renunciam da violência somente para viverem em sociedade, por pura necessidade de preservar a espécie. Se é assim, a tendência natural é mesmo o desiquilíbrio, e à volta à essência. E, desta forma, a violência e o crime se manifestarão em qualquer circunstância, e será mais ou menos presente, quanto maior ou menor for a capacidade do grupo em reprimir tais manifestações.
Mas penso também em Rosseau, no "bom selvagem", no fato de que todas as pessoas nascem boas e são corrompidas pelo mundo. Se é assim, e para mim é melhor acreditar nisso, a essência humana é boa, e o problema está na sociedade, nas instituições, nos valores. E isso, apesar de também não ser tão fácil assim de mudar, parece menos complexo do que modificar a essência humana...E como o problema está na nossa "criação", e não na própria "criatura", só depende de nós encontrarmos o caminho.
Para terminar, e alimentando a minha esperança nas pessoas, no mundo e no fato de que possivelmente estamos evoluindo, vai aí uma frase célebre do Rousseau:
Não é mesmo fácil livrar-se dessas correntes, ainda mais quando elas são feitas de dor, de falta de esperança e de dignidade...
Até a próxima viagem.
Fabi






