domingo, 27 de dezembro de 2009

Palavras soltas...

27/12/2009. Hoje é aniversário de alguém que foi muito importante na minha vida. Não digo especial, mas importante. Quer dizer, foi também especial em vários momentos, mas não foi isso que ficou. Aliás, esse não é o motivo desse texto. Não iniciei o post com a intenção de discorrer sobre essa pessoa e os meus sentimentos, embora já esteja fazendo isso.


Comecei a escrever sem motivo e me lembrei disso. É final de ano, e todo final de ano é confuso. E esse está mais ainda. É ruim falar isso, mas coisas ruins têm acontecido. Coisas pelas quais eu me julgo não merecedora de passar. Mas a gente não sabe de nada, a verdade é essa. É a vida que sabe. E ela nos dá exatamente o que precisamos. E talvez eu estivesse precisando de doses cavalares de susto, medo, decepção, indignação e nojo. Pra poder me sacudir e sair dessa posição confortável.


E é justamente isso o que eu pretendo fazer. Sair dessa posição passiva que eu assumo em certas situações e ir para frente. Por isso, nada melhor do que uma virada no calendário. Porque a vida não faria mesmo sentido se não existissem os "anos novos". Para os quais a gente faz zilhões de promessas e intenções, e resolve mudar, ou colocar os planos em prática. Creio eu que grande parte das mudanças já aconteceram internamente quando são pensadas e verbalizadas, mas é necessário fechar um ciclo e iniciar outro para que elas tomem vida.


Os meus planos e intenções estão aqui dentro, encasulados, latentes, esperando o próximo ciclo para virarem vida. Não dá mesmo para começar nada ainda. Porque agora é hora de deixar o ranço ir embora. E iniciar esse novo ano de alma limpa, lavada, passada e dobrada, pronta para ir para a gaveta de sonhos, projetos, amores, pessoas, descobertas...


Que venha 2010!!! Cheio de paz e coragem, de dias calmos e noites intensas, de risos sinceros e lágrimas de alívio!!!



Fabi

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Da traição e outras sacanagens

Eu, como legítima advogada que sou, amante das ciências jurídicas e admiradora incondicional das leis, proponho a criação de mais um tipo penal. Sem esse papo de Direito Penal mínimo, de simbolismo, e outras coisinhas. Deveria ser crime partir o coração dos outros!!! Hoje ouvi uma frase que retrata bem a situação: "Ter o coração partido pode ser tão penoso quanto ter o bolso vazio". E há um tempo atrás, vi um filme lindo em que a protagonista afirmou: "Enfrentei duas guerras, vi meus parentes serem torturados e mortos, tive que abandonar o meu país, e tudo isso me abalou muito, mas não me derrubou. E foi justamente uma traição, uma decepção amorosa, que quase me matou."

Por tal motivo, é que proponho a criação de um tipo penal, nos seguintes termos:



Capítulo I
Da traição e outras sacanagens
Art.1°. Trair alguém, abusando da confiança em si depositada.
Pena - reclusão, de (25) vinte e cinco a (50) cinquenta anos.
§ 1° Incorre nas mesmas penas aquele que faz promessas sem se julgar apto a cumprí-las, desliga o celular ou não o atende quando é chamado para uma conversa sobre assuntos afetos ao relacionamento, inventa desculpas esfarrapadas para não encontrar, some nos finais de semana.
§ 2° A pena é aumentada de 1/3 a 2/3 se o criminoso utilizar-se de um dos artifícios descritos no parágrafo anterior para o cometimento do delito previsto no caput.
§ 3° As circunstâncias atenuantes não se aplicam ao delito aqui previsto.
§ 4° O juiz poderá, em caso de reincidência, aplicar cumulativamente a pena de castração hormonal, ou prisão perpétua.
§ 5° A caracterização do delito independe do tipo de vínculo afetivo existente entre o criminoso e a vítima, aplicando-se a enrolados, namorados, casados, amasiados, dentre outros.
Fabi

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

09/09/09

Para os chineses, hoje é o dia da eternidade. Um bom dia para casamentos, e para as demais coisas que as pessoas desejam que durem para sempre. Assim que ouvi essa notícia, comecei a pensar na duração das coisas... E de como a finitude e a infinitude são dois grandes paradoxos. Ambas causam um desalento terrível, e ao mesmo tempo um conforto indizível.


Quando penso na minha própria finitude, e de tudo e de todos que me rodeiam, sinto uma agonia tão grande, que fico sufocada. Esse medo vem geralmente à noite, quando os fantasmas ficam a vontade para passear em meus pensamentos, quando tudo é escuro e quando o mínimo dos barulhos adquire quase um som ensurdecedor. Penso na morte, nas perdas, no fim. Penso na incerteza do futuro, na imutabilidade do passado, na efemeridade do presente. Penso na peneridade do corpo, na transitoriedade da beleza, nas mudanças, nas permanências... E choro... ou pego no sono e tenho pesadelos... ou sonhos leves, completamente antagônicos aos meus temores.

Ao mesmo tempo, penso que a finitude é a única certeza. Digo, a finitude do corpo e das formas. Dessa vida que eu conheço. Porque tenho acreditado, com todas as minhas forças, que existe algo mais. Algo que é eterno, que dura inifinitamente, que faz parte do universo e que para ele será "devolvido"... E assim, o que resta é viver essa dualidade: eterno e finito, infinito e efêmero.

Mas nessa data tão cabalística, tão significativa para a eternidade, presto minhas homenagens a ela, e peço aos céus que faça eternas as minhas alegrias, as minhas amizades, os meus amores e, principalmente, meus sentimentos nobres e leves. Mesmo que essa eternidade tenha a duração de um único segundo.



Fabi

domingo, 30 de agosto de 2009

E tudo não passou de... (ou Poeminha para algo que não durou)

O encontro foi inusitado. Se conheceram de uma forma inesperada, quase inacreditável.

E o jogo da conquista começou. O frio na barriga, a expectativa, as esperanças de que tudo seria diferente agora. No primeiro encontro, falaram um pouco de si. Ele elogiou a profundidade do olhar dela. E disse que não queria mais sofrer. Ela, que há muito não via uma possibilidade, começou a se encantar. E foi envolvida, e teve saudades, e se surpreendeu, e pensou que finalmente conhecera uma exceção. Ele fez alguns pequenos planos, ela acreditou. E descobriram outras coincidências, como se o universo houvesse conspirado para que aqueles dois seres, de universos tão diferentes, se encontrassem.

Havia um passado. Ela teve medo, ficou insegura. Chegou a cogitar cair fora temendo que o tombo poderia ser grande. Mas resolveu encarar e dar uma chance. E não pensou mais naquele passado tão recente, e ainda tão presente.

E em pouquíssimo tempo, ela sentiu um êxtase físico e espiritual. Sentiu que poderia ser diferente. Os corpos se envolveram, como se tivessem sido criados um para o outro. Todos os carinhos se encaixaram, todos os beijos eram especiais, todo o desejo estremeceu. Riram-se um do outro. Dormiram e acordoram já com um aperto no peito de se separarem. Se falaram longamente por horas. Assuntos vários... Pareceram tão interessantes e interessados.

Mas não houve explicação para que tudo se dissipasse em poucas horas. Nem se sabe em que momento isso aconteceu.

Tudo começou rápido e acabou rápido. Sem palavras, sem discussões, sem explicações. Com um descompromisso que não parecia existir.

Mentira?
Sadismo?
Leviandade?
Medo?
Egoísmo?

À ela, restou aquela sensação de quem tem um sonho que termina mal... Daqueles que se acorda no meio da noite assustada, com o coração disparado.

Quanto a ele, não se sabe se foi o passado que voltou, ou se foi o futuro que assustou.

Aos dois, não se sabe se há mais um par, ou mesmo se um dia chegou a ser...


Fabi

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

O buraco

E a vida, como não é uma linha, mas um círculo, colocou um buraco no seu caminho.
Numa terra desconhecida, completamente diferente, onde até os olhos não são iguais aos nossos, você caiu.

Mas os planos, os sonhos, as expectativas, a determinação não caíram com você. E a vida, essa mãe implacável e justa, que dá, mas que também tira, só queria te mostrar que os buracos existem, até te derrubam, mas não te deixam desistir.

Sem o seu pé esquerdo você não é nada? E o direito? - Disse a vida. Anda, levanta-te, corre atrás do seu sonho! Você vai desperdiçar isso? Eu nunca te prometi que seria fácil!

E você se levantou. Insistiu, sentiu raiva e medo. E viu coisas extraordinariamente belas e feias. Viu a a face mais nua da pobreza. Por toda a parte, em todo o lado. E viveu uma aventura...

E aprendeu que os buracos, as pedras, e até os abismos, estarão sempre no caminho, mas que eles não se alimentam de almas, nem de sonhos... só tornam o caminho mais belo...

http://www.mundadentro.blogspot.com/

(À minha amiga Lê, com quem compartilho tudo, inclusive os tombos e tropeços)

Fabi

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Eu sangro


Eu sangro todo mês. E às vezes, quando eu sangro, dói. Dói a barriga, dói a cabeça, doem as pernas, os peitos. Eu perco o apetite, ou ganho um pouco mais.
E quando eu não sangro, eu me preocupo. Aí, dói a consciência, dói também a cabeça, e também a barriga...

Eu sou cíclica. Bipolar, Tripolar, Polipolar. Um dia choro, outro me irrito, outro dou pulos de alegria.

E eu trabalho. E muito. E ganho menos. E se eu tenho um aumento, ou sou promovida, é porque estou dando para alguém. Então, a minha competência não é medida pelo meu esforço, ou pelos anos que eu passei com a bunda na cadeira estudando, mas pela minha disposição de oferecer favores sexuais a um figurão qualquer.

Eu chego em casa e lavo louça, lavo roupa, lavo o banheiro. E faço comida e supermercado.

Eu idealizo o amor. Espero o príncipe encantado. Tenho esperanças de o sapo virar príncipe. E se ele não vira, eu choro. E me lamento do tempo que eu perdi. E me conformo, e parto para outra. Com o coração partido por mais um amor que não era amor.

Eu espero uma ligação no dia seguinte. Um e-mail carinhoso. Uma mensagem no meio da noite. Um convite inesperado. Eu não tomo a iniciativa.

Eu aguento cantadas atrevidas na rua. Algumas me divertem, outras me enojam, me enervam.

Eu tenho medo de sair na rua e ser estuprada. Tenho medo de ficar para tia, de ser chamada de solteirona, mal-amada, mal-comida.

Tenho medo de não poder ser mãe, de passar da hora. Porque eu tenho prazo de validade.

E, sendo mãe, tenho medo de falhar. De não dar conta, de enlouquecer, de perder espaço no trabalho. E tenho medo de perder meu filho, de sentir a pior dor do mundo.

Tenho medo de ficar velha. De perder as pessoas que eu amo. De ser a última a morrer. E também de ser a primeira.

Não quero ficar sozinha. Quero fazer as escolhas certas. Quero comer chocolate e não engordar. Quero me tornar sábia. Ser interessante, inteligente.

Às vezes tenho vontade de sumir. De voltar para a barriga da minha mãe. De perder a memória. De não errar tanto. De não ter razão. Tenho vontade de ser louca, de ter mais coragem, de saber falar não.

É que eu sangro todo mês, e às vezes dói...

Fabi

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

"Alguém" em 2009

Há cinco dias 2009 começou. Pra mim o ano começou com muita chuva e uma inflamação bem forte na garganta. E foi justamente essa inflamaçãozinha que me levoua escrever esse texto.

O ano começou em casa, comidinha quente na hora, sem preoucupações sobre o que tem para comer, se tem que ir ao supermercado, sem contas para pagar... Por um breve momento, até me esqueci das minhas responsabilidades. Mas logo hoje, quando retornava para a minha outra casa, a casa que agora é minha de verdade, é que a garganta começou a doer. E a dor só piorou ao longo do dia. E eu tive que me cuidar. Sozinha. Comprar leite, mel, canela, analgésico, pastilha. Tudo isso bem regado a alguns bons litros de uma chuva fria e insistente, a pés ensopados de água e um ventinho nada agradável.

No caminho, com o corpo doendo e a garganta queimando, e ainda pensando que eu não tinha exatamente nada daquelas coisas em casa e que, portanto, eu, somente eu, teria que comprá-las, apesar do desânimo, me lembrei de tudo que as pessoas me desejaram para 2009, e me lembrei ainda que a unanimidade delas me desejou que eu arrumasse "alguém".

Tá certo. Tenho 29 aninhos recentemente completados, um emprego estável, uma carreira. Agora só falta "alguém".

Fiquei pensado se no pacote do "alguém" está incluído fazer minhas compras, especialmente nos dias chuvosos e de inflamação na garganta. É que nesses dias dá mesmo vontade ter "alguém" que faça tudo por mim, que pense e aja por mim enquanto eu corro para a cama. Tentei me lembrar se os "alguéns" da minha vida já fizeram isso por mim e, sem querer ser injusta, não me recordei de nada parecido.

Eu sim, fazia sopinha, companhia, desmarcava compromissos para cuidar dos "alguéns" em dias pouco sadios deles. Mas o contrário, não me lembrei...

É, 2009 promete! Chuva é sinal de prosperidade, fartura, fertilidade!! E a dor de garganta, acho que essa é sinal que, de fato, terei que operar as amígdalas!! E talvez também seja o ano de arrumar "alguém". Sei que a época de fazer pedidos já passou, mas tendo em vista os acontecimentos recentes, queria saber se ainda dá tempo de incluir no pacote do "alguém" uma disponibilidade para fazer sopinhas, gemadas, passar na farmácia e comprar pastilhas, analgésico, própolis...

Que venha 2009!!! Com, ou sem "alguém"!!!!